domingo, 3 de abril de 2016

Estrela Decadente

Estrela Decadente
Por Caroline Moreira

           Ela tinha tantos sonhos quanto estrelas no céu, e cada constelação que descobria, eram vidas dispostas em um pedaço de papel. As figuras estampadas no telhado azul do mundo, não passavam de pontos cintilantes, assim, com algum tipo de descuido. Pareciam esquecidas pelo resto das pessoas. Mas cada vez que ela dava atenção por alguns segundos, não havia corpo celeste que ficasse mudo. Porém, o dia amanhecia e a garota se via perdida, um tanto sozinha. Ela passava a noite toda sonhando, e de dia não tinha sono. O seu travesseiro, no entanto, era abarrotado de sonhos.
           Às vezes, ela se sentia como se estivesse debaixo do seu cobertor, numa escuridão total, e ficava confusa se a noite era um véu sobre a cama do céu. Então, entre aquele sentimento que a prendia, sufocava, surgiu um ponto reluzente que a acompanhava. Ela tinha certeza de que os dias eram mais difíceis e obscuros que o anoitecer. Afinal, quando a noite chegava, ninguém enxergava o que ela escondia, ninguém via as lágrimas que inundavam os seus sonhos. Mas ela era uma poeira estelar, e cada vez que se debulhava em lágrimas, restava o pó e ela soprava. Brilhava feito estrela... Decadente.


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