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terça-feira, 31 de maio de 2016

Resenha - The Rocky Horror Picture Show


The Rocky Horror Picture Show
Por: Marina Rodrigues






Direção
Jim Sharman
Produção
Michael White
Baseado na peça
The Rocky Horror Show
de Richard O'Brien




Estrelando
Tim Curry como Dr. Frank N. Furter
Susan Sarandon como Janet Weiss
Barry Bostwick como Brad Majors
Richard O'Brien como Riff Raff
Patricia Quinn como Magenta
Nell Campbell como Columbia
Jonathan Adams como Dr. Everett V. Scott
Peter Hinwood como Rocky Horror
Meat Loaf como Eddie
Charles Gray como O Criminologista
Jeremy Newson como Ralph Hapschatt
Hilary Labow como Betty Hapschatt (née Munroe)



Distribuído por
20th Century Fox



Data de lançamento
14 de Agosto de 1975



Tempo
100 minutos



País
Reino Unido
Estados Unidos


  Com uma narração à Lá Vicent Price e uma vibe meio Pop Poe, The Rocky Horror Picture Show é uma das obras primas do cenário trash underground dos últimos 40 anos.

   Causando um furor inigualável desde seu lançamento em 1975, TRHPS deu o que falar, o filme foi banido na África do Sul durante várias semanas após seu lançamento nos cinemas locais pelo Conselho de Censura local, estreiou no Brasil cinco anos depois de seu lançamento, não sendo bem recebido. O filme costuma ser exibido em sessões da meia-noite, em que não há programas de censura. Em um cinema em Munique está em cartaz desde seu lançamento, alcançando o recorde mundial de maior tempo de permanência em uma sala de cinema.

   Uma ofensa aos mais conservadores, mas um hino para os socialmente excluídos, que ficam à margem de uma sociedade hipócrita em que os filmes precisam ser de moralismos intensos. Contemporâneo de Laranja Mecânica, lançado em 1971, abalou as estruturas dos padrões conhecidos de Hollywood.

   A história se passa em um cidadezinha pitoresca tipicamente norte americana, em que dois adolescentes, mais do que estereotipados e saídos diretamente dos filmes de terror da época, são postos da maneira mais clichê possível dentro de um castelo assombrado repleto de figuras um tanto quanto excêntricas, um criado a lá Victor Frankenstein, uma governanta nada convencional, uma Groupie — sim, uma Groupie — com voz uma voz a lá Cindy Lauper e um cientista travesti vindo do planeta Transexual, na galáxia de Transilvânia. O que deveria ser apenas uma visita ao laboratório de seu querido professor Dr. Everett Von Scott, acaba se transformando numa jornada de auto conhecimento e descoberta sexual para Brad Majors e sua noiva Janet Weiss, quando descobrem os planos de Frank N' Furter em criar um homem que satisfaça a seus desejos, nomeado Rocky.

  The Rocky Horror é uma sátira muito bem bolada dos filmes B e da ficção científica. A famosa Double Feature, mencionada na música de abertura do filme, faz tributo a filmes como Flash Gordon, O dia em que a terra parou, O homem invisível, King Kong, Doctor X, Drácula, Tarântula e muitos outros.

   Esse cult dos cults dos renomados filmes trash não foi só um "Boom" na cara dos mais conservadores e defensores dos valores e dos bons costumes, como foi decisivo no desenvolvimento da moda da música Punk: cabelos coloridos, meia-calças rasgadas, corseletes. Com suas fishnets e seus batons nada casuais, Dr. Frank N Further não é realmente o esperado de um protagonista Hollywoodiano, mas ao contrário disso, um anti-herói que, mesmo nesse papel, tornou-se o personagem mais querido dessa peça única da sétima arte.
   
   Se me perguntarem a fórmula do filme? Uma sátira, musical e comédia com pitadas de terror e ficção científica. Então tira os pais e avós da sala, te despe dos teus preconceitos, faz uma pipoca e assista esse must see do cinema trash dos anos 70.



     Atenção, a partir daqui contém spoilers

   Agora vamos falar das famosas exibições de The Rocky Horror Picture Show nos cinemas ao redor do mundo — como vemos no filme "As Vantagens de Ser Invisível", em que o personagem principal trabalha numa dessas exibições. Não conhece? É assim, deixa eu te explicar, já ouviste a frase "A primeira vez a gente nunca esquece"? Então, essa frase nunca fez tanto sentido em TRHPS.

   Virgem, assim é como és nomeado na primeira vez que vais numa dessas exibições — isso mesmo que já tenhas assistido ao filme milhares de vezes. As pessoas vão vestidas de seus personagens preferidos, falam com os personagens na tela — e no palco também, com atores de verdade! — e jogam vários objetos interativos durante o filme. Comumente os cinemas possuem seus próprios rituais para os "virgens", como subir ao palco para dançar e mais alguns "micos".

   Aqui vai a lista dos objetos interativos que tens que levar nas exibições (claro que vai variar de cinema para cinema, não esqueça que cada ambiente tem suas regras) ou que podes usar numa sessão com amigos na sala da tua casa mesmo:

  • Arroz: no começo do filme tem o casamento do Ralph Hapchatt e da Betty Munroe. Enquanto os noivos saem da igreja, você deve jogar arroz junto com os convidados da festa.
  • Jornal: quando Brad e Janet são pegos pela tempestade, Janet sobre sua cabeça com o jornal "Plain Dealer". Nesse ponto, você deve igualmente cobrir sua cabeça.
  • Pistolas de água: são usadas pelos membros da audiência para simular a tempestade em que são pegos Brad e Janet. (Entendeu o porquê do jornal?)
  •  Velas, lanternas, luz de celular: durante o verso "There's a light" da música "Over at the Frankenstein place", você deve acender a luz do objeto que levaste.
  •  Luvas de borracha: antes e depois do discurso do Dr. Frank N Furter, ele estala sua luva três vezes. Mais tarde, Magenta puxa a luva de suas mãos. Você deve estalas suas luvas ao mesmo tempo para criar um som de efeito na sessão.
  • Coisas para fazer barulho: ao final do discurso, o Transilvânianos respondem com aplausos e barulhos. Você deve fazer o mesmo.
  •  Confetti: no final da música "Chales Atlas Song reprise", os Transilvânios jogam confetti em Rocky e Frank, que estão indo para o quarto. Você também deve fazê-lo.
  • Papel Higiênico: quando o Dr. Scott entra no laboratório, Brad fala "Great Scott!", nesse ponto, você deve jogar rolos de papel higiênico no ar. (Aqui há um choque cultural, pois o significado dessa parte é que nos Estados Unidos os papéis higiênicos são de uma marca chamada "Scott").
  • Torrada: quando o Frank propõe um drink, os membros da audiência devem jogar uma torrada no ar. (Outro choque cultural, pois "propor um drink" e "torrada" significam "toast", uma mesma palavra, mas que varia de significado de acordo com o contexto. Uma dica de variação para o Brasil seria levar copos e os erguer no ar na hora do drink.).
  • Chapéu de festa: na mesa do jantar, quando Frank coloca o chapéu de festa de aniversário, você deve fazer o mesmo.
  •  Sino: durante a música "Planet Schmanet Janet", toque o sino quando o Frank canta "Did you hear a bell ring?" (Você ouviu o sino tocar?). (O barulho de Chaves também podem fazer o mesmo efeito).
  • Cartas de baralho: durante a canção "I'm Going Home", Frank canta "Cards for sorrow, cards for pain". Você deve fazer uma chuva de cartas.

No mais, como o Dr. Frank N Furter diria...Just Give Yourself Over To Absolute Pleasure*

*Se entregue ao prazer absoluto


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Resenha & Entrevista - Meu coração é uma fábrica de arritmias sentimentais


Meu coração é uma fábrica de arritmias sentimentais 
por: Marina Rodrigues 







Sinopse

Os cinquenta e quatro poemas deste livro foram frutos de todas as peripécias sentimentais de um coração que, ora acelera em arrebatamento, ora se tranquiliza em calmaria. O leitor é convidado a mergulhar nos batimentos e participar da montanha-russa emocional.

Gênero - Poesia
Páginas - 88




Você já conhece a carioca Bruna Tschaffon? Não, então deixa eu te apresentar ela. 23 anos, advogada e escritora, Bruna é o protótipo do poeta contemporâneo, digo isso pelo simples fato de que, em uma era cercada pela individualidade, ainda consiga sustentar sua profissão de porte, sua juventude e sua digníssima sensibilidade de poeta. Cantando como um trovador as suas dores e calmarias do coração, somos rapidamente sugados para dentro dos poemas de seu primeiro livro publicado "Meu coração é uma fábrica de arritmias sentimentais" — o segundo ainda está saindo quentinho do forno, Lítio, lançado dia 29 de Abril desse ano em Niterói, mal podemos esperar para lê-lo. 
       
        Bruna é única, mas ao mesmo tempo é todos, ela é única em seus sentimentos, mas escreve sobre o que todos guardamos no peito, o amor. Bruna conversa com o leitor com uma leveza de amiga, confidente, sentes-te mais do que acolhido em suas entrelinhas. Quem nunca teve um coração partido ou se sentiu sozinho em tempos de coração de pedra? Já diziam, "a arte imita a vida". 


         Seu português correto, seus versos bem divididos, seu vocabulário, seus temas relevantes, cada página que passa é algo que te cativa. 


              Também fizemos uma entrevista com a autora, ela foi uma fofa, espero que gostem de conhecer um pouco mais dela:

Blog com V: O que te inspira a compor?

Bruna: Pra escrever, eu me inspiro por sensações que eu vivenciei ou por idealizações e sonhos que eu nutro. Por mais que eu faça um exercício de imaginação, a escrita sempre é algo pessoal e intimista, um reflexo de quem escreve. 


Blog com V: Como é a tua mesa de escrita?
Bruna: Eu escrevo no meu laptop, mas não gosto de ficar muito tempo no mesmo lugar, então ando com ele pela sala, pelo meu quarto, pela cozinha... Não tenho um lugar específico só pra isso.


Blog com V: Tens um ritual para escrever?
Bruna: Eu gosto de escrever com fones de ouvido e escutando minhas musicas prediletas, pra não me desconcentrar.


Blog com V: Como você concilia profissão e escrita?
Bruna: É muito difícil. Eu deixo a escrita pro domingo e as minhas horas de descanso acabam todas se tornando em horas de produção literária. Mas é um sacrifício que pra mim vale muito a pena, já que é a minha paixão. 


Blog com V: Como você lida com ter que ter a frieza do tribunal e a sensibilidade do poeta?
Bruna: Que pergunta legal! É muito difícil mesmo, principalmente porque eu sou muito sensível e me envolvo muito com o lado humano, apesar de nem sempre deixar isso transparecer. Acho que talvez seja uma boa mistura, contudo. O mundo jurídico está a cada dia mais robotizado e em descompasso com o lado humano do ofício. Nós devemos ser a mudança que queremos ser.


Blog com V: Você começou a escrever com quantos anos e por quê?
Bruna: Eu comecei a escrever bem intuitivamente, aos oito anos. Escrevi um poema no meio da aula porque estava entediada e fui pedir pro diretor da minha escola publicar no jornal. A escrita sempre foi minha válvula de escape, uma fuga da realidade para extravasar meus pensamentos e sentimentos.


Blog com V: Como você se vê daqui a dez anos?
Bruna: Daqui a dez anos eu espero ser uma boa profissional, continuar a escrever e publicar livros e se Deus quiser ter uma família :)


Blog com V: Qual seu livro preferido?
Bruna: É um empate entre "O velho e o mar", do Hemingway e "As virgens suicidas" do Jeffrey Eugenides. 


Blog com V: Para quem você recomenda teu livro de poesias?
Bruna: Eu recomendo meu livro de poemas pra todos os que apreciem o gênero literário e pros que ainda não entraram em contato com o mundo da poesia. Poemas são o caminho mais rápido e certeiro pra atingir outras almas. A poesia me encantou desde que me entendo por gente e até hoje continua a me deslumbrar. Permitam-se descobrir esse encantamento também.


              A moça também é responsável pela coluna “Prosa pro café” da Folha do RJ. Não esquece de dar uma conferida nas crônicas dela, uma delícia de ler. Também não esquece de a acompanhar pelo insta, ainda vão vir muitas novidades dessa menina-mulher que só está no começo de uma carreira brilhante!






quarta-feira, 13 de abril de 2016

Enclausurada



Enclausurada 
Por Marina Rodrigues

Ar logo falta em meus pulmões. As paredes parecem diminuir a cada passo descompassado que dou em direção à porta. Enclausurada. Engasgada. Enlatada como uma fileira de sardinhas, dessas que compramos em supermercados.         
Com um medo excessivo, irracional — que aumenta à medida que o tempo escorre por entre os finos nós de meus dedos trêmulos — caminho em direção à saída. É inevitável: devo desmaiar adiante.          
Pânico. Ansiedade. Taquicardia. Suor. Terror. Tremor — Claustrofobia.          
Começo a ver imagens dobradas e penso se não são os barbitúricos engolidos desesperados, no intuito de acalmar o fantasma da fobia que paira sobre mim.            

Morte, enfim. 

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