sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Boneca de Pano


 Boneca de Pano
Por Caroline Moreira

Acolchoado de retalhos, distribuídos em um tecido lânguido. A picada familiar da agulha que invade outra camada e drapeja a epiderme. Das dobras e dos desdobramentos, a lembrança alcança – finalmente! – o posto de esquecimento. A cicatriz da costura desmanchada, nada mais significa de que ela não pôde ser contida. Semelhante a uma boneca de pano, lhe é suturada emoções. Não permitem que ela sinta, e mesmo assim, ela sangra.


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Resenhas - Sete dias com Marilyn


Sete dias com Marilyn
Por Caroline Moreira

                O nome de Marilyn Monroe sempre recorda a imagem da loura impecavelmente linda com uma silhueta invejável, embora a moça que pareça a todos, uma deusa, seja na verdade uma mulher frágil com uma personalidade complicada. Isso é o que podemos observar em Sete Dias com Marilyn.

                Foi lançado em 27 de abril de 2012 e dirigido por Simon Curtis, a história em si não possui nada demais: uma atriz em lua de mel que quando o noivo deixa o país, se envolve, de certa forma, emocionalmente com um assistente, exceto pelo fato de mostrar as várias facetas da sensualíssima Monroe - suas crises, seus problemas e, sobretudo, sua insegurança. 


                As pessoas podem se perguntar: afinal, o que havia de tão espetacular nela? Mulheres bonitas estão espalhadas por quaisquer lugares e Jane Russel era o verdadeiro vulcão sexual na década de 50, o que torna a pergunta difícil de responder. Ela tinha sentimentos confusos, vulnerabilidade e usava drogas em grande quantidade, embora no início, foram prescritas para diminuir a insônia, causadas pelos ataques de pânico e ansiedade.


             A estrela até os dias de hoje, mantém-se como a mulher sexy e o mais perto da perfeição, no entanto, sua autoestima era extremamente baixa, o que piorava toda a situação. Ela tinha medo da loucura e de acabar sozinha, dizia ser infeliz no amor já que nunca foi feliz em nenhum de seus casamentos.


O filme é interessante visto que se pode conhecer uma fração do que realmente ela é, embora nunca saibamos o que ela era completamente. Incrivelmente, ela pôs se nua em alguns filmes e neste, parece que sua alma está totalmente despida e grita por atenção, no entanto, para esse tipo de nudez nem todos estão aptos para entender.


Colin Clark e Michelle Williams formam uma impressionante dupla, já que ele guia a narrativa e ela consegue expressar a vida embaralhada da atriz longe das câmeras. Para complementar, o filme ainda conta com Emma Watson (Harry Potter), e não deixa a desejar, além de sugerir uma reflexão sobre a profundidade de Marilyn. Até porque a sua instabilidade emocional e intensidade remetem ao Transtorno de Personalidade Limítrofe, mais conhecido como Borderline.

Para saber mais sobre o transtorno que ela possuía:


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Resenha - Corações Perdidos




Corações Perdidos

Por Caroline Moreira


                   O filme foi lançado em 08 de julho de 2011 dirigido por Jake Scott e o elenco conta com a participação de Kristen Stewart (‘Branca de Neve e o Caçador’), James Gandolfini (‘O Homem da Máfia’) e Melissa Leo (‘Invasão à Casa Branca’).
                   O drama estadunidense concentra sua narrativa em uma tragédia familiar, a qual permitiu que surgisse uma barreira entre Doug e sua mulher, Louis, ambos estão em um relacionamento de silêncio e distanciamento completo até o dia em que Doug foi a uma convenção em New Orleans e conheceu Mallory. 


                Ela é dançarina numa boate de strip club, não consegue evitar palavrões devido à língua afiada e também possui temperamento forte. Subitamente, essa jovem terá uma influência na vida do casal, fazendo-os lembrar do que os uniu e de quanto se amam.
                                 
                Vale ressaltar que a atuação de Kristen neste filme mostrou que seu talento não se resume a saga Crepúsculo, a qual a fez perder certa credibilidade e que está evoluindo como atriz gradativamente.
                                  
                   E embora, o final do filme não me pareça satisfatório levando em consideração a emocionante história, devo dizer que o indico pela maneira como discorre o enredo, a bela trilha sonora, e o elenco que definitivamente possui uma qualidade exorbitante. 

Para não dizer que não falei das flores

Para não dizer que não falei das flores 
Eduarda Gomes
Capítulo Único - Florir

       O mundo não acabou.
      Eu ainda estou aqui pela metade, ouvindo músicas até tarde e me sentindo um pedaço finito do que já fui um dia. Querendo me tornar água da chuva e me transformar em uma nuvem, mudar a rota do meu dia e cortar o cabelo. Esquecer que te amei um dia e fugir do meu próprio espelho.
       Os dias seguiram.
     Parei de perceber e me lembrar que não me sentia bem. Parei de chorar contra o travesseiro, querendo que tudo explodisse e só sobrasse eu e um espaço não construído. Parei de sentir raiva e saudade de algo inventado e parei de me obrigar a amar algo abstrato.
       E eu continuei aqui.
      Ainda querendo escrever cartas de amor e olhar o sol nascer mesmo que seja para dormir o resto do dia e desperdiçar tudo que sobrou. Mesmo que parte de mim já tenha ficado no meu passado e as flores sejam só feridas não cicatrizadas de algo que nunca deveria ter acontecido. E só aconteceu porque eu fui incapaz de evitar.
       Mas ainda há amor.
       Porque de tudo que acabou – murchou, despedaçou – eu fui à única coisa que ficou.
       E já aprendi a ser feliz só por mim.


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